Prefeita de Belford Roxo entra em Bangu 8 como advogada para ver Márcio Canella, e Polícia Penal abre apuração
Mariana Canella entrou na unidade no domingo (18), e a Seppen avisou a PF, o STF e a OAB depois de saber que ela era a prefeita da cidade.
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) abriu um procedimento na Corregedoria para apurar a entrada da prefeita de Belford Roxo, Mariana Canella (União Brasil), em Bangu 8, onde está preso o deputado estadual eleito Márcio Canella. Segundo a secretaria, ela entrou na unidade no domingo (18) e se apresentou como advogada.
Ainda de acordo com a Seppen, depois de saber que se tratava da prefeita, a secretaria comunicou o caso à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Registros obtidos pelo jornal O Globo indicam que Mariana também esteve na unidade no sábado (17). A secretaria não comentou essa visita e não informou se ela faz parte formalmente da defesa de Canella. O procedimento ainda não tem conclusão.
Mariana Malta, conhecida como Mariana Canella, é formada em Direito e trabalhou cerca de sete anos com o deputado na Alerj. Eleita vice-prefeita em 2024, assumiu a prefeitura em 3 de abril deste ano, quando Márcio Canella deixou o cargo para disputar a eleição.
Canella está preso desde quinta-feira (15), quando foi alvo da oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A prisão preventiva foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo a investigação, uma organização criminosa usava uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro e movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em seis anos. O ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim também foi preso na operação.
Eleito deputado estadual em 2026 com 197.178 votos, o segundo maior número da Alerj, Canella já tinha sido preso em julho, em flagrante, depois que a PF encontrou um fuzil de uso restrito no carro dele. Na ocasião, ele disse que a arma não era sua e foi solto quatro dias depois. Até a última atualização, a prefeita, a Prefeitura de Belford Roxo e a defesa do deputado não tinham se manifestado sobre as visitas.