Pequena África terá Praça dos Estivadores reformada, biblioteca e conservatório de música preta na Zona Portuária
BNDES e prefeitura anunciaram cerca de R$ 23 milhões em projetos para o distrito cultural no entorno do Cais do Valongo.
A região da Pequena África, na Zona Portuária do Rio, vai ganhar os primeiros projetos do seu distrito cultural. O BNDES e a prefeitura anunciaram na quarta-feira (21), no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), na Gamboa, cerca de R$ 23 milhões em intervenções, que ainda serão captados entre recursos públicos e privados.
A primeira obra será a da Praça dos Estivadores, com R$ 2 milhões da prefeitura. O projeto prevê canteiros, bancos, áreas de sombra, iluminação para o uso noturno, prioridade para pedestres e dois totens que contam a história do território.
Os outros três projetos dependem de captação. A Biblioteca Machado de Assis, em imóvel da Fundação Biblioteca Nacional, deve receber R$ 8 milhões e ter auditório, sala de exposições, acervo e terraço com jardim e café. O Conservatório da Música Preta Brasileira, feito em parceria com o Instituto Cultne, também tem R$ 8 milhões previstos e vai ocupar um terreno desapropriado pela prefeitura perto do Largo da Prainha. Uma fábrica voltada à capacitação e à venda de produtos de empreendedores locais, com foco na economia solidária negra, deve receber R$ 5 milhões, em acordo com a Fundação Darcy Vargas.
“O Distrito Cultural Pequena África é memória, mas é, acima de tudo, futuro”, disse o prefeito Eduardo Cavaliere. Participaram do anúncio a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.
Os projetos fazem parte da Iniciativa Valongo. O comitê gestor do sítio arqueológico exigiu, entre outros pontos, que pelo menos 30% das equipes sejam de profissionais negros e que haja um concurso para arquitetos e urbanistas negros. Propostas como habitação social na Pedreira ainda estão em estudo, sem projeto definido.
O Cais do Valongo, Patrimônio Mundial da Unesco, é considerado o maior porto de desembarque de africanos escravizados do mundo. Estima-se que entre 800 mil e 1 milhão de pessoas tenham passado por ele entre 1774 e 1831.