Todas as mulheres ouvidas em pesquisa da FGV dizem ter medo de assédio nos ônibus do Rio
Nota para a sensação de segurança é 5 de 10. Medo faz passageiras gastarem com carro de aplicativo. Veja onde e como denunciar.
Uma pesquisa da FGV Transportes ouviu 63 mulheres que usam ônibus no Rio. Todas disseram ter medo de sofrer assédio sexual no transporte coletivo.
Numa escala de 0 a 10, a sensação de segurança das passageiras recebeu nota 5,08. O medo cresce quando os ônibus estão lotados.
“Esse medo interfere na rotina e nos deslocamentos das mulheres na cidade e compromete o direito de ir e vir”, afirmou o diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, ao g1.
As passageiras relatam estratégias para se proteger. “Sempre procuro um cantinho”, disse a cozinheira Andreia de Albuquerque. A auxiliar de limpeza Ilmar Santos de Sá Ferreira contou que procura ficar perto de outras mulheres e, quando não dá, coloca a bolsa na frente do corpo.
O estudo também aponta um custo financeiro: por insegurança, parte das entrevistadas troca o ônibus por carro de aplicativo em alguns trajetos.
Segundo o Instituto de Segurança Pública, foram 130 registros de importunação sexual de janeiro a julho. Importunação sexual é crime, com pena de um a cinco anos de prisão, e não exige contato físico.
Como denunciar: em flagrante, chame o motorista ou o cobrador e ligue 190. A Central de Atendimento à Mulher atende pelo 180, 24 horas. Nos terminais do Rio, o Banco Roxo é um ponto de acolhimento para vítimas. Se possível, anote a linha, o número do ônibus e o horário.