Câmeras de PMs na megaoperação mostram tortura e ameaças de morte, aponta relatório da Defensoria
Vídeos mostram homem imobilizado com pano ensanguentado no rosto e agressões a moradores. Nenhum dos 10 mil arquivos registrou as mortes.
Um relatório da Defensoria Pública do Rio aponta indícios de tortura, agressões e ameaças de morte nas imagens das câmeras de PMs que atuaram na Megaoperação Contenção.
O documento foi feito com o Projeto Mirante, ligado à Universidade Federal Fluminense. A operação nos complexos da Penha e do Alemão completou um ano na quarta-feira (28).
Segundo o relatório, as gravações mostram um homem detido com um pano ensanguentado sobre o rosto. Policiais ameaçam matá-lo e exigem a localização de armas.
O texto também descreve agressões a moradores, mototaxistas e mulheres, com uso de eletrochoque e gás.
Nenhum dos 10.202 arquivos analisados registrou as mortes da operação, que terminou com 122 vítimas.
O relatório descreve lentes obstruídas de propósito e troca irregular de equipamentos entre os policiais.
Dos 1.802 PMs na ação, só 595 usavam câmeras corporais. Os investigadores não receberam nenhuma gravação de agentes da Core, da Polícia Civil.
A Polícia Federal já concluiu a perícia das imagens. Em 8 de outubro, os laudos foram enviados à Procuradoria-Geral da República.
A Polícia Militar não respondeu aos questionamentos.