MP denuncia 28 PMs por crimes na megaoperação, de esconder câmeras a roubar fuzil e até picolé
Câmeras nas fardas flagraram invasão de casas, desvio de fuzil e furto de celular. Promotoria analisa mais de 4 mil horas de imagens.
O Ministério Público do Rio denunciou 28 policiais militares por crimes cometidos durante a Megaoperação Contenção, que completou um ano na quarta-feira (28).
São 12 denúncias do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp). Os crimes foram gravados pelas câmeras nas fardas dos próprios agentes.
Entre as acusações estão o roubo de um fuzil, de peças de carro, de um celular e até de um picolé da casa de um morador. Há também invasão de casas e obstrução das câmeras.
O promotor Fábio Corrêa disse que mais de 4 mil horas de imagens estão sendo analisadas.
Um dos casos é o do sargento Fábio Vicente de Souza. Segundo o MP, ele escondeu a câmera na viatura por cinco horas, invadiu uma casa e desligou o equipamento nove vezes.
Em outro, o sargento Diogo da Silva Souza e mais cinco PMs foram denunciados por planejar esconder um fuzil desviado na operação.
“Há uma obstrução dolosa e deliberada das câmeras corporais para que não realizem as filmagens”, afirmou o promotor.
Um relatório da Defensoria Pública e do projeto Mirante, da UFF, também aponta indícios de tortura e ameaças de morte nas gravações.
A ação nos complexos da Penha e do Alemão deixou 122 mortos. A Polícia Militar não respondeu sobre as denúncias.