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“Não temos saída”: Moradores do Rio relatam imposição e abusos do monopólio de internet controlado pelo tráfico

Enquanto as forças de segurança intensificam operações de grande porte no estado — como as ações da Polícia Federal e da Polícia Militar —, moradores de diversas comunidades do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana convivem com a pressão e o controle direto do crime organizado sobre um serviço essencial: o acesso à internet. Relatos obtidos nas investigações e depoimentos de moradores revelam que facções criminosas assumiram a distribuição de redes de telecomunicação em áreas dominadas, expulsando operadoras legalizadas por meio de ameaças, cortes de cabos e incêndios em caixas de distribuição. Sem alternativa, a população se vê obrigada a contratar provedores clandestinos autorizados pelos traficantes.

Nos bairros afetados, como Engenho da Rainha e Benfica, na Zona Norte do Rio, os clientes relatam falta de liberdade de escolha, cobranças abusivas e tarifas elevadas. Em Benfica, as mensalidades cobradas pelas empresas ligadas ao tráfico variam de R$ 104 a R$ 154, dependendo da velocidade, com incidência de multa de R$ 20 em caso de atraso. Um comerciante do Engenho da Rainha descreveu como operadoras tradicionais foram banidas da região, afirmando que grandes empresas foram boicotadas após criminosos cortarem as fiações nos postes até que elas parassem de enviar equipes de manutenção, obrigando todos a assinarem provedores controlados pelo tráfico sem ter para onde recorrer.

O problema se estende para além da capital e afeta municípios da Região Metropolitana, como em bairros de Itaboraí, onde moradores relatam pagar valores elevados por serviços de baixa qualidade, sob a ameaça de retaliação caso tentem buscar fornecedores tradicionais. A população aponta que não há direito de escolha de operadoras legalizadas e que são cobradas taxas extras para instalação e troca de equipamentos.

A exploração do setor de telecomunicações tornou-se uma das fontes de maior lucratividade para as facções, financiando conflitos territoriais e estruturas do crime. Para combater o esquema, as forças de segurança têm deflagrado sucessivas investidas, como a Operação Backbone da Polícia Federal para desarticular a rede financeira do Comando Vermelho ligada à exploração de internet e ações pontuais da Polícia Militar, a exemplo da realizada na Vila Kennedy, para reprimir a atuação de provedores clandestinos e prender suspeitos.

Enquanto entidades de telecomunicações, como a Conexis Brasil, alertam para os riscos enfrentados por equipes técnicas impedidas de realizar reparos e defendem ações integradas de segurança pública, os moradores continuam apelando por medidas efetivas que garantam o direito básico à livre escolha e à prestação de serviços legais em suas regiões.

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Redação

Equipe de jornalismo do Direto do Rio.

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