Comércio do Rio já soma mais de 10 mil empresas fechadas em 2026; 2025 teve recorde da série
Dados da Jucerja mostram 10.834 baixas até setembro; custos, insegurança e vendas on-line pesam sobre as lojas de rua.
O comércio do estado do Rio registrou 10.834 empresas fechadas entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja) divulgados pelo jornal O Dia. No mesmo período, foram abertas 17.214 empresas no setor.
O ritmo de fechamentos vem de um ano ruim. Em 2025, 13.025 empresas do comércio encerraram as atividades, o maior número da série histórica que começa em 2019 e uma alta de 18,6% em relação a 2024, quando houve 10.979 baixas. As aberturas também cresceram: foram 20.136 novos estabelecimentos em 2025, 8,9% a mais do que no ano anterior.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam o peso dos custos fixos, como aluguel, condomínio, IPTU e folha de pagamento, além da menor circulação de pessoas em algumas regiões, da insegurança e do avanço das compras pela internet. Segmentos que dependem do movimento de rua, como moda, calçados e presentes, estão entre os mais afetados; farmácias, serviços de bairro, pet, estética e alimentação com delivery se adaptaram melhor.
O presidente do CDLRio e do SindilojasRio, Aldo Gonçalves, afirma que o varejo vem enfraquecendo há anos, desde a forte recessão que começou por volta de 2013, e que a pandemia foi “a pá de cal” para muitas empresas. Ele também cita a insegurança como um fator que afasta clientes do comércio de rua.
Comerciantes da Zona Norte relatam a mesma dificuldade. Há quem diga que o movimento só melhora em datas comemorativas, como o Dia das Crianças, e que o consumidor está mais cauteloso, pesquisando preços e segurando o dinheiro.